O Bairro Santo Antônio surgiu na década de 1920 da antiga Colônia Afonso Pena, que tinha como principal referência uma caixa-d`água, onde hoje se encontra a sede da COPASA. Na época era um dos primeiros bairros nascidos fora do perímetro da Avenida do Contorno. Apesar de a maioria das casas terem se tornado edifícios, ainda conserva características arquitetônicas e o aspecto residencial, sendo um dos bairros mais tradicionais de Belo Horizonte. Quem passa por uma das principais vias do bairro conhece um símbolo bem simpático, a escultura denominada vaquinha, instalada na década de 1980 na Rua Leopoldina, quase esquina com a Avenida do Contorno.
A artista Marina Nazareth, que na época era uma das assessoras da Coordenadoria de Cultura do Estado de Minas Gerais, contou um pouco da história da vaquinha, que foi uma proposta de intervenção da trama urbana da cidade selecionada no XII Salão Nacional de Artes de Belo Horizonte. O objetivo era aprovação de esculturas que quebrassem a monotonia e o caos do meio urbano, trazendo um pouco do ambiente rural e da natureza, além de propor aproximação entre o artista e o povo com oportunidade de acesso aos bens culturais.
Foram seis projetos selecionados, entre eles a transformação do tradicional monumento da Praça 7 em um pirulito, infantilmente conhecido, e gigantescos cotonetes introduzidos nos orelhões telefônicos.
Ao conquistar a aprovaçao do público, a vaquinha do artista plástico Marcelo Nitsche foi a escultura que teve maior sucesso e virou um símbolo, sendo consertada diversas vezes pelos próprios moradores da região que demonstram, assim, um verdadeiro carinho pela escultura. Marina Nazareth explica que a vaquinha foi instalada na frente do número 62 da Rua Leopoldina, onde a artista morava, para que ela pudesse dar ao autor o apoio de que ele necessitava para a realização da obra.
Depoimentos
O porteiro Paulino Pedro de Assis, que trabalha há 15 anos no edifício Princesa Leopoldina, relembrou as mudanças ocorridas na escultura e afirma, inclusive, que já pintou a vaquinha por diversas vezes. "Ela é o ponto de referência, todo mundo quer saber a importância da vaquinha, quem colocou, detalhe por detalhe."
A moradora da Rua Leopoldina Sheila Matuck conta que a maioria das pessoas não conhece a via apenas pelo nome. "Quando diz que é a rua da vaca, todo mundo sabe qual é e onde se localiza. As crianças adoram, sobem em cima dela e até tiram retratos. A vaca tornou-se um símbolo importante para todos os moradores, é a identificação da nossa rua", afirma.
CowParade
O sucesso da escultura ao longo desses quase 30 anos também foi incentivo para trazer até Belo Horizonte o CowParade: exposição de esculturas de vacas que passou pelas principais cidades do mundo. Elas eram fixadas em lugares públicos e foram vistas por mais de 100 milhões de pessoas em 32 cidades. Depois eram leiloadas e o dinheiro entregue a instituições de caridade.
No Brasil, o CowParade começou em São Paulo e, logo depois, veio para Belo Horizonte. Uma das responsáveis pela versão brasileira do evento foi Catherine Duvignau que afirmou na época que "A pluralidade das manifestações artísticas mineiras foram definitivas para a escolha da cidade como palco do evento." Catherine também citou a vaquinha mineira da Rua Leopoldina "como Vaca-mãe", que representou um convite simpático da cidade para a realização do evento.
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