Opinião > Responsabilidade das ações socioeconômicas
O desenvolvimento de uma nação não depende somente de mudanças e avanços na área econômica, mas de um reequilíbrio dos desafios sociais causados pelo próprio crescimento. Em decorrência disso, as últimas décadas no Brasil vêm sendo marcadas por uma aceleração de ações sociais e intensificação de discussões em várias esferas da sociedade sobre Responsabilidade Social e o campo de atuação do Terceiro Setor, que depende da legitimidade e sustentabilidade para desenvolver novos programas sociais.
O termo Responsabilidade Social ganhou força após a década de 1950 com as teorias formuladas nos Estados Unidos e na Europa. Hoje, se apresenta como um tema cada vez mais importante no comportamento das organizações, exercendo impactos nos objetivos e estratégias das empresas.
A questão da Responsabilidade Social vai, portanto, além da postura legal da empresa, da prática filantrópica ou do apoio à comunidade. Significa mudança de atitude, em uma perspectiva de gestão empresarial com foco na qualidade das relações e na geração de valor para todos. Uma organização socialmente responsável tem em consideração, nas decisões que toma, a comunidade onde se insere e o ambiente onde opera.
As entidades não governamentais têm participação importantíssima nesse processo, uma vez que as bases dos serviços prestados têm como premissa o comprometimento de governos e empresas com a Responsabilidade Social. É importante conduzir os negócios baseados no compromisso contínuo com a qualidade de vida atual e das gerações futuras, por meio de um comportamento ético, que contribua para o desenvolvimento econômico, social e ambiental.
De acordo com dados da ONU, em torno de 5 bilhões de pessoas, que dividem conosco espaço neste planeta, estão na base da pirâmide, ou seja: geram renda diária e vivem com menos de U$ 2 dólares por dia. De todos os agentes sociais envolvidos, sem dúvida, as ONG`s são as entidades que mais têm se comprometido na tentativa de reduzir essa epidemia da “desesperança”, buscando sensibilizar e acender nas almas da população carente a força da mobilização e da conscientização de que o estágio da pobreza pode ser superado pela qualificação educacional e geração de renda.
A Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, destacou o papel das ONGs na erradicação da miséria, ressaltando haver uma forte convergência entre o plano “Brasil sem Miséria” e as preocupações dos movimentos sociais. A Ministra destacou, ainda, que a rede de organizações não governamentais será importante instrumento para ajudar o Governo Federal a identificar pessoas que ainda estão fora de alcance das políticas públicas e que os segmentos sociais terão um relevante papel na execução do plano de superação da extrema pobreza.
Conforme destacou a Ministra, a ideia que orienta o plano é que a pobreza seja avaliada em suas várias dimensões e que o objetivo é chegar a 2014 com elevação de renda e de melhoria das condições de vida dos 16,2 milhões de pessoas que ainda permanecem na extrema pobreza, apesar dos avanços dos últimos anos. Ela sinalizou que o Cadastro Único será o grande instrumento de planejamento para o conjunto das ações do setor público. O plano está sendo desenhado sobre três eixos: transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva.
Para isso, é necessário que as organizações compreendam que não há Responsabilidade Social sem ética nos negócios, e transparência nas ações, estabelecendo objetivos compatíveis com o desenvolvimento sustentável e preservando os recursos ambientais e culturais.
Tácito Avelar – Vice-Presidente do IMDC (Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania)
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