Numa cidade do Vale do Jequitinhonha, o Juiz de Direito, todas as tardes, saía do expediente e tomava uma cervejinha estupidamente gelada, porque o proprietário do bar, para agradar o ilustre freguês habitual, punha a garrafa no congelador meia hora antes de sua chegada.
Um belo dia estava o Juiz a presidir um Júri. O julgamento era de repercussão social e o salão estava lotado. Quando interrogava o réu, o juiz perguntou-lhe:
– O Senhor bebe???
Respondeu ele:
– Bebeo sim, dotô, ingualzinho o Sinhô: umazinha, todo dia, no bar da beira do rio, em frente ao Fórum.
O Juiz fechou a cara, franziu o cenho, deu um tempinho, pigarreou para limpar a goela e ditou, praticamente gritando, ao Escrivão, encarando a plateia pelos quatro cantos do salão e de dedo em riste:
– Escreva aí que o réu bebe... MO-DE-RA-DA-MEN-TE!!!
(Da seleção de “causos” do Dr. Augusto Vieira)
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