O mercado ainda está aquecido, apesar da crise internacional e as empresas não conseguem preencher determinadas vagas devido à falta de qualificação profissional dos brasileiros. O mesmo ocorre com os cursos oferecidos: há vagas, mas faltam alunos. O fato é preocupação de empresários e do governo. A Diretora de Operações do Instituto Mundial de Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), Andréa Magnavacca, fala sobre educação e ações propostas pela entidade, que tem no portfólio vasta experiência na execução de projetos.
Por que a falta mão-de-obra qualificada está aumentando no Brasil?
Acredito ser uma questão cultural. Se avaliarmos o processo de colonização do Brasil, poderemos ver e analisar que a população tem várias crenças, como: os mais pobres devem trabalhar para sobreviver e os mais ricos não precisam se esforçar, pois dinheiro é poder. Essas crenças refletem no cotidiano do brasileiro levando as pessoas a seguirem esses conceitos à risca. Com a modernização dos meios produtivos e crescimento da economia brasileira, faz-se necessário a profissionalização da mão-de-obra. Daí surge a carência por qualificação, pois a população não tem na educação a base para a formação profissional.
O que pode ser feito para mudar essa situação?
Antes de qualquer atitude concreta é preciso trabalhar a autoestima do brasileiro. As pessoas podem trabalhar para sustentar a família, mas investir em si mesmas, fazer cursos, estudar, pesquisar, buscar o crescimento pessoal e profissional. Já é tempo de transformar as crenças dos brasileiros. Nós podemos vencer, para isso é preciso começar. E o Governo Federal deu um grande passo, ao formular os programas de alfabetização e qualificação profissional. Mas é preciso a contrapartida da população. Vivemos, hoje, no IMDC, uma realidade interessante: cursos de qualificação profissional gratuitos, com vale-transporte e lanche para os alunos e milhares de vagas em aberto. Precisamos mostrar aos jovens do País que eles podem ter um futuro brilhante e promissor e que a chance está no presente, no hoje. É indispensável que eles entendam que é preciso agarrar-se a essa oportunidade e dar o primeiro passo, qualificando-se como profissionais, tornando-se mais competitivos e preparados para o mercado de trabalho.
Como o Instituto pode ajudar as empresas a tentar resolver o problema de falta de mão-de-obra?
Criando novos projetos com foco na realidade do País e de cada empresa que formos trabalhar em parceria. Temos a experiência e estamos sempre dispostos a inovar e ousar. O principal, para nós do IMDC, é trabalhar o verdadeiro conceito de Responsabilidade Social. Ao fazermos parceria com uma empresa, iniciamos um processo de ações socialmente responsáveis. Ao qualificarmos uma pessoa para o mercado de trabalho estaremos criando oportunidade de emprego e geramos renda para aquele trabalhador, melhoramos o orçamento doméstico e aumentamos o poder de compra de sua família. Paralelamente, existem outros setores que são movimentados, como: da padaria, que fornece o lanche, da gráfica que imprime o material do curso, entre outros. O que quero dizer é que, ao qualificar uma pessoa, investindo na educação e profissionalização da capacidade de trabalho daquele indivíduo, estaremos promovendo o crescimento “em onda”. Muitas vezes não temos a real dimensão de como investir nos estudos e criar oportunidade de emprego, muitas vezes, pode mudar não somente a vida de uma pessoa, mas da comunidade em que mora e de uma nação. Esse é o nosso objetivo. Sermos canais, propiciarmos a mudança positiva para seres humanos e nações.
<< Voltar
Jornal Horizonte Sul
www.jornalhorizontesul.com.br
2000 / 2010 Todos os direitos reservados